Oncaspar (pegaspargase) 750U/ML / Solução injetável
Classe Terapêutica
Agente Antineoplásico enzimático
Indicação
É indicado como um componente da terapia antineoplásica combinada de pacientes com leucemia linfoblástica aguda (LLA).
Dose
Deve ser prescrito por médicos e administrado por profissionais de saúde com experiência no uso de produtos antineoplásicos. Deve ser administrado apenas em ambiente hospitalar onde houver equipamento apropriado de reanimação disponível. Os pacientes devem ser monitorados de perto e cuidadosamente observados para qualquer reação adversa ao longo do período de administração. Em geral, é administrado como parte de protocolos quimioterápicos em combinação com outros agentes antineoplásicos.
Adultos > 21 anos
A menos que prescrito de outra forma, a posologia recomendada em adultos com idade > 21 anos é de 2000U de pegaspargase (equivalente a 2,67mL)/m2) área de superfície corporal a cada 14 dias. O tratamento deve ser monitorado com base na atividade mínima da asparaginase sérica, quantificada antes da próxima administração. Caso os valores da atividade da asparaginase não atinjam os níveis alvo, a troca para uma preparação de asparaginase diferente poderá ser considerada.
Ajuste de dose
Insuficiência renal: não há ajustes de dosagem previstos na bula do fabricante.
Insuficiência hepática: não há ajustes de dosagem previstos na bula do fabricante.
Preparo
Quando é administrado por via intravenosa, diluir com cloreto de sódio 0,9% injetável ou dextrose 5% injetável para preparar uma infusão.
Vias de administração
INTRAVENOSO E INTRAMUSCULAR
Administração
Quando é administrado por via intramuscular, o volume em um único local de aplicação deve ser limitado a 2mL. Se o volume a ser administrado for maior do que 2mL, múltiplos locais de aplicação devem ser utilizados. Não contém conservantes. Use apenas uma dose por frasco; descarte o produto não utilizado.
Para administração intravenosa, usar imediatamente após a diluição. Administrar por um período de 1 – 2 horas. Se o uso imediato não for possível, pode ser armazenado sob temperatura refrigerada (2°C a 8°C) por até 48 horas a partir do tempo de preparação até a completa administração. Proteger as bolsas de infusão da luz solar direta. A estabilidade físico-química em uso, da solução diluída, foi demonstrada por 48 horas sob temperatura refrigerada (2°C a 8°C). Do ponto de vista microbiológico, o produto deve ser utilizado imediatamente. Não infundir outros medicamentos intravenosos através da mesma linha intravenosa.
Cuidados específicos e monitoramento
Anafilaxia e reações de hipersensibilidade graves
Anafilaxia e reações graves de hipersensibilidade podem ocorrer. O risco de reações de hipersensibilidade graves é maior em pacientes com hipersensibilidade conhecida às formulações de L-asparaginase nativa de E. coli. Outras reações de hipersensibilidade podem incluir angioedema, inchaço nos lábios, inchaço nos olhos, eritema, diminuição da pressão arterial, broncoespasmo, dispneia, prurido e erupção cutânea.
Recomenda-se pré-medicar os pacientes 30-60 minutos antes da administração de ONCASPAR.
Observar os pacientes por 1 hora após a administração em um ambiente com equipamento de reanimação e outros agentes necessários para tratar anafilaxia (por exemplo, epinefrina, oxigênio, esteroides intravenosos, anti-histamínicos). Suspender em caso de reações de hipersensibilidade grave.
Trombose
Eventos trombóticos graves, incluindo trombose do seio sagital, podem ocorrer, suspender em pacientes com eventos trombóticos graves.
Pancreatite
Pancreatites hemorrágica ou necrosante com desfecho fatal foram reportadas. Pacientes devem ser informados dos sinais e sintomas de pancreatite a qual, se não tratada, pode ser fatal. Monitore os níveis séricos de amilase e/ou lipase para identificar sinais precoces de inflamação pancreática. Suspender em pacientes com suspeita de pancreatite. Se a pancreatite for confirmada, o tratamento não deve ser reiniciado.
Intolerância à glicose
Intolerância à glicose pode ocorrer, em alguns casos, a intolerância à glicose é irreversível. Monitorar a glicose sérica.
Coagulopatia
Aumento do tempo de protrombina, aumento do tempo de tromboplastina parcial hipofibrinogenemia e redução de antitrombina III podem ocorrer, monitorar os parâmetros da coagulação no período basal e periodicamente durante e após o tratamento. Considere terapia apropriada de reposição em pacientes com coagulopatia grave ou sintomática.
Hepatotoxicidade e função hepática anormal
Hepatotoxicidade e função hepática anormal, incluindo elevações de AST (TGO), ALT (TGP), fosfatase alcalina, bilirrubina (direta e indireta) e diminuição da albumina sérica e fibrinogênio plasmático podem ocorrer. Cuidado é requerido quando é dado em combinação com medicamentos hepatotóxicos. Monitore o paciente para alterações nos parâmetros das funções hepáticas. Pode haver um aumento do risco de hepatotoxicidade em pacientes com cromossomo Filadélfia positivo, para os quais o tratamento com inibidores de tirosina quinase (por exemplo: imatinibe) é combinado com a terapia com asparaginase.
Foi observada doença hepática veno-oclusiva (DVO), incluindo casos graves, com risco de vida e potencialmente fatais, em pacientes tratados com ONCASPAR em associação com quimioterapia padrão, inclusive durante a fase de indução da quimioterapia multifásica.
Os sinais e sintomas de DVO incluem rápido ganho de peso, retenção de líquidos com ascite, hepatomegalia, trombocitopenia e rápido aumento da bilirrubina. A identificação de fatores de risco como doença hepática pré-existente ou história de DVO é essencial para a sua prevenção. O reconhecimento imediato e o manejo adequado de DVO permanece indispensável. Os pacientes que apresentam esta condição devem ser tratados de acordo com a prática médica padrão.
Devido ao risco de hiperbilirrubinemia, é recomendado monitorar o nível de bilirrubina no início e antes de cada dose.
Osteonecrose
Na presença de glicocorticoides, a osteonecrose (necrose avascular) é uma possível complicação da hipercoagulabilidade observada em crianças e adolescentes, com uma incidência mais elevada no sexo feminino. Portanto, recomenda-se o monitoramento rigoroso em crianças e adolescentes em tratamento, de forma a identificar quaisquer sinais/sintomas clínicos de osteonecrose. A avaliação clínica do médico responsável deve orientar o plano de tratamento de cada paciente com base na avaliação individual do benefício/risco de acordo com as diretrizes padrão de tratamento da LLA e com os princípios dos cuidados de suporte.
Efeito no Sistema Nervoso Central
Casos de encefalopatia (incluindo a síndrome leucoencefalopatia posterior reversível) foram reportados com o uso de asparaginase. Pode causar sinais e sintomas no Sistema Nervoso Central, que podem se manifestar como sonolência, confusão, convulsões. Se for usado em associação com produtos neurotóxicos (como vincristina e metrotrexato), monitore atentamente o paciente.
Mielossupressão
Pode causar mielossupressão, direta ou indiretamente (ao alterar efeitos mielossupressivos de outros agentes como metrotrexato ou 6-mercaptopurina). Monitore a contagem do sangue periférico e da medula óssea. Considere reduzir a dose dos agentes mielossupressores administrados concomitantemente.
Hiperamonemia
A asparaginase facilita a rápida conversão de asparagina e glutamina em ácido aspártico e ácido glutâmico, tendo a amônia como subproduto de ambas as reações. A administração intravenosa pode causar aumento nos níveis séricos de amônia após a administração. Os sintomas de hiperamonemia são geralmente transitórios e podem incluir: náusea, vômito, dor de cabeça, tontura e erupção cutânea. Em casos graves, pode ocorrer encefalopatia com ou sem comprometimento hepático, especialmente em adultos mais velhos, nos quais pode representar risco a vida ou ser fatal. Se surgirem sintomas de hiperamonemia, monitore atentamente os níveis de amônia.
Gravidez
Não há estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas para informar a existência de algum risco associado ao medicamento. Também não se sabe se pode causar dano fetal quando administrado a gestantes ou pode afetar a capacidade reprodutora. Deve ser administrado a gestantes apenas se claramente necessário. O risco estimado de defeitos congênitos maiores e aborto espontâneo para a população indicada é desconhecido. Na população geral dos EUA, o risco estimado de antecedentes de grandes defeitos congênitos e aborto espontâneo em gestações clinicamente reconhecidas é de 2% – 4% e 15% – 20%, respectivamente.
Estudos de embriotoxicidade com L-asparaginase não peguilada demonstraram evidência de potencial teratogenicidade da L-asparaginase em ratos, camundongos e coelhos.
Categoria “D” de risco na gravidez.
Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe imediatamente seu médico em caso de suspeita de gravidez.
Lactação
Não há dados disponíveis a respeito da presença de ONCASPAR no leite humano, os efeitos no lactente ou os efeitos na produção de leite. Como muitos medicamentos são excretados no leite humano e, por causa do potencial de reações adversas graves em lactentes, deve-se tomar a decisão de suspender a amamentação ou suspender o medicamento, levando-se em consideração a importância do medicamento para a mãe bem como os benefícios da amamentação para o desenvolvimento e para a saúde.
Uso criterioso no aleitamento ou na doação de leite humano. O uso deste medicamento no período da lactação depende da avaliação e acompanhamento do médico ou cirurgião-dentista.
Potencial reprodutivo de homens e mulheres
Contracepção
Homens e mulheres devem utilizar uma contracepção eficaz, incluindo métodos de barreira, durante o tratamento e por, no mínimo, 6 meses após a suspensão. Como não pode ser excluída uma interação indireta com os componentes dos contraceptivos orais, o uso concomitante não é recomendado. Em mulheres em idade fértil, um método contraceptivo, que não seja o contraceptivo oral, deve ser utilizado.
Uso geriátrico
Estudos clínicos não incluíram números suficientes de pacientes com 65 anos ou mais para determinar se eles respondem de forma diferente que os pacientes mais jovens.
Efeitos na capacidade de dirigir veículos e operar máquinas
Pode exercer influência importante na capacidade de dirigir e operar máquinas. As seguintes reações adversas foram reportadas em pacientes tratados com ONCASPAR em associação com outros medicamentos quimioterápicos: sonolência, confusão, tontura, síncope e convulsões. Os pacientes devem ser orientados a não dirigir ou operar máquinas enquanto receberem ONCASPAR se apresentarem essas ou outras reações adversas que possam comprometer a capacidade de dirigir ou operar máquinas.
Teratogenicidade, mutagenicidade e reprodução
Nenhum estudo de carcinogenicidade de longo prazo em animais foi realizado. Nenhum estudo relevante abordando o potencial mutagênico foi conduzido. Não exibiu um efeito mutagênico quando testado com as cepas Salmonella typhimurium no ensaio de Ames. Nenhum estudo foi realizado sobre o comprometimento da fertilidade.
Interações medicamentosas
Geral
Não foram realizados estudos formais de interação medicamentosa. As seguintes interações foram observadas com outras asparaginases e podem ocorrer com ONCASPAR.
Efeitos sobre medicamentos que se ligam a proteínas
A diminuição de proteínas séricas causada pelas asparaginases pode aumentar a toxicidade de outros produtos que se ligam a proteínas.
Efeitos sobre o uso concomitante com outros agentes quimioterápicos
Tratamento imediatamente precedente ou concomitante com vincristina pode aumentar a toxicidade das asparaginases e aumentar o risco de reações anafiláticas. Portanto, a vincristina deve ser dada de maneira oportuna antes da administração de pegaspargase para minimizar a toxicidade. A asparaginase pode afetar a ação de outros agentes quimioterápicos que requerem divisão celular para seu efeito (por exemplo: metrotrexato, citarabina). Este efeito pode ser sinergético ou antagonista, dependendo do momento da administração do agente. A adesão aos esquemas de tratamento é, portanto, recomendada para minimizar essas potenciais interações.
Efeitos no metabolismo e clearance de outros medicamentos
As asparaginases tem o potencial de interferir no metabolismo e clearance de outros medicamentos devido ao seu efeito na síntese de proteínas e na função hepática, bem como pelo uso combinado com outros quimioterápicos conhecidos por interagirem com as enzimas do citocromo.
A pegaspargase pode aumentar o risco de osteonecrose induzida por glicocorticoides em crianças e adolescentes quando ambos os tratamentos são administrados simultaneamente, com incidência mais elevada no sexo feminino, através de um potencial aumento na exposição à dexametasona.
Uma interação indireta entre ONCASPAR e contraceptivos orais não pode ser descartada, por isso, o uso concomitante não é recomendado. Um método diferente da contracepção oral deve ser usado em mulheres férteis.
Efeitos em Vacinas Atenuadas
A vacinação simultânea com vacinas vivas pode aumentar o risco de infecções graves atribuíveis à atividade imunossupressora da pegaspargase, à presença da doença subjacente e à quimioterapia combinada. A vacinação com vacinas vivas deve, portanto, ser administrada não antes de 3 meses após o término de todo o tratamento antileucêmico.
Estabilidade/ Conservação
É fornecido como uma solução estéril em frascos de uso único contendo 3750U por 5mL de solução. Deve ser armazenado sob refrigeração, em temperatura entre 2°C e 8°C. Não agitar ou congelar o produto. Proteger da luz.
Reações adversas
As seguintes reações adversas graves estão descritas em maiores detalhes em outras seções desta bula:
• Anafilaxia e reações graves de hipersensibilidade
• Trombose grave
• Pancreatite
• Intolerância à glicose
• Coagulopatia
• Hepatotoxicidade e função hepática anormal
• Efeitos no sistema nervoso central
• Mielossupressão
• Hiperamonemia
Contraindicações
É contraindicado nos seguintes casos:
• Histórico de reações de hipersensibilidade graves, incluindo anafilaxia ao ONCASPAR ou outros excipientes;
• Histórico de trombose grave com terapia prévia com L-asparaginase;
• Histórico de pancreatite, incluindo pancreatite relacionada com terapia prévia com Lasparaginase;
• Histórico de eventos hemorrágicos graves com terapia prévia com L-asparaginase;
• Insuficiência hepática grave.
Fonte
Oncaspar®. [Bula]. São Paulo: Laboratórios Servier do Brasil Ltda. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?numeroRegistro=112780076: 26/08/2025
